Apresentação: Uma inclusão excludente: o efeito prático das políticas de zero-rating no Brasil - Khadja Vanessa

Cumpre destacar que o zero-rating consiste na oferta de acesso móvel a conteúdos e aplicativos previamente determinados pelos provedores, sem que isso implique em custos adicionais ao usuário. Na prática, significa discriminar uma porção de dados da internet, separando-a no tráfego de rede para que o serviço não seja descontado do pacote de dados do cliente. Apesar de empresas que se utilizam dessa ferramenta darem o argumento de inclusão digital para justifica-la, é certo que as violações proporcionadas pela praticam geram a chamada inclusão excludente, pois o zero-rating limita a autonomia dos usuários da internet, retirando da web o seu caráter aberto e sujeitando os clientes aos interesses das empresas provedoras. Ou seja, do ponto de vista principiológico, a prática é bastante questionável, pois impede a autonomia da informação na Internet. As políticas de zero-rating ferem o princípio da neutralidade de rede, e isso, aliado ao fato de grande parte da população brasileira estar conectada à internet a partir de aparelhos móveis gera preocupações relativas à desinformação em massa, pois uma vez esgotado o pacote de dados para a internet “livre”, sobra apenas o acesso restrito às plataformas escolhidas pelo provedor. Isso faz com que o usuário seja bombardeado com informações através de redes sociais e não tenha a liberdade de checa-las, ficando adstrito a uma pequena parcela da rede. Desse modo, discutir o assunto é essencial para que, no futuro, possamos analisar de forma crítica as propagandas de “WhastApp grátis” e similares tão disseminadas no contexto brasileiro.